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terça-feira, 26 de julho de 2016

#15 - Grande Prêmio da Alemanha (parte 2)

* por Carlos Werzel Júnior

(cont.)

Mais alguns fatos interessantes que ocorreram no GP da Alemanha:

- o GP de 1985, em Nürburgring, foi o 1º em que uma câmera onboard foi usada em um carro de F1, numa corrida, que foi na Renault de François Hesnault. Essa prova também marcou a última vez em que uma equipe usou 3 carros numa corrida da F1, foi a equipe Renault (além de Hesnault, Derek Warwick e Patrick Tambay correram pela equipe francesa).
- no GP de 1995, em Hockenheim, Michael Schumacher se tornou o 1º alemão a vencer em casa, desde a vitória de Rudolf Caracciola em 1939.

Hockenheimring Baden-Württemberg é um circuito situado no vale do rio Reno, perto da cidade de Hockenheim, no estado de Baden-Württemberg. Foi originalmente construído em 1932, usando estradas em uma floresta.

Primeiro foi usado para corridas de motos, e depois foi expandido para ser usado como pista de testes da Mercedes-Benz e da Auto Union. Em 1938 o circuito foi renomeado para Kurpfalzring, e este nome foi usado até 1947.

Em 1965 uma nova versão do circuito de Hockenheim foi construída, com o Motodrom, a chamada seção do “estádio”. Em 1968, o escocês Jim Clark falece em uma corrida de Fórmula 2 no circuito, e 2 chicanes rápidas são adicionadas ao traçado.

Em 1982 uma outra chicane foi adicionada à Ostkurve, após o acidente fatal de Patrick Depailler em 1980, e a 1ª chicane foi também modificada, ficando mais lenta.

O antigo traçado de Hockenheim, adorado por muitos fãs da F1, tinha 6.823 metros, e possuía 4 longas retas (de cerca de 1,3 km cada uma), separadas por chicanes, e a chamada seção do “estádio”, mais lento. As retas cortavam a Floresta Negra.

Em 2002, a FIA mudou o traçado de Hockenheim, sendo tirada toda a parte da Floresta Negra. O circuito passou a ter 4.574 metros. Particularmente para este que escreve, perdeu toda a graça do circuito...

Traçados de Hockenheim:
1 - de 1970 a 1981;
2 - de 1982 a 1989, foi adicionada uma chicane à Ostkurve;
3 - 1990 e 1991, foi modificada a Ostkurve;
4 - 1992 e 1993, novamente modificada a Ostkurve;
5 - 1994 a 2001, foram modificadas 2 chicanes;
6 - de 2002 até hoje, traçado atual

Como escrito, o atual circuito de Hockenheim tem 4.574 metros, fica em um autódromo, é de média alta velocidade e no sentido horário. Possui 16 curvas, sendo 10 para a direita, e 6 para a esquerda.

Hockenheim possui contrato com a FOM até 2018, para sediar o GP da Alemanha.

Até hoje foram disputados 75 GP’s da Alemanha, em toda sua história, sendo 12 antes da 2ª Guerra Mundial, e 63 provas na Fórmula 1. Das 63, foram 2 extra-campeonato, 1 no circuito de AVUS, 26 em Nürburgring e 34 em Hockenheim.

Na história do GP Alemão o maior vencedor é um piloto pré 2ª Guerra Mundial. O alemão Rudolf Caracciola venceu 6 vezes, nos anos de 1926, 1928, 1931, 1932, 1937 e 1939 (em todos os anos de Mercedes, exceto em 1932 que foi de Alfa Romeo).

Em 2º lugar está outro alemão, Michael Schumacher, com 4 triunfos, nos anos de 1995 (Benetton), 2002, 2004 e 2006 (as 3 de Ferrari). Todas em Hockenheim.

Na 3ª posição, com 3 vitórias, temos 6 pilotos, dentre eles os brasileiros Nelson Piquet (1981 [Brabham], 1986 e 1987 [ambas de Williams]) e Ayrton Senna (1988, 1989 e 1990 [todas de McLaren]). Também entre eles está Fernando Alonso, com as vitórias em 2005 (Renault), 2010 e 2012 (ambas de Ferrari).

E na 4ª posição, com 2 vitórias, há 7 pilotos, dentre eles Lewis Hamilton, nos anos de 2008 e 2011 (ambas de McLaren, e nos circuitos de Hockenheim e Nürburgring, respectivamente).

A equipe com maior número de vitórias é a Ferrari, com 22 vitórias, nos anos de 1950, 1951, 1952, 1953, 1956, 1959, 1963, 1964, 1972, 1974, 1977, 1982, 1983, 1985, 1994, 1999, 2000, 2002, 2004, 2006, 2010 e 2012.
Em 2º lugar estão a Mercedes e a Williams, com 9 vitórias cada. A Mercedes nos anos de 1926, 1927, 1928, 1931, 1937, 1938, 1939, 1954 e 2014, enquanto a Williams em 1979, 1986, 1987, 1991, 1992, 1993, 1996, 2001 e 2003.
Em 3º lugar está a McLaren, com 8 triunfos, nos anos de 1976, 1984, 1988, 1989, 1990, 1998, 2008 e 2011.

Apenas em Hockenheim o maior vencedor é Michael Schumacher, com 4 vitórias, em 1995 (Benetton), 2002, 2004 e 2006 (as 3 de Ferrari), como já referido acima.

Em 2º, com 3 vitórias, estão Nelson Piquet (1981 [Brabham], 1986 e 1987 [ambas de Williams]), Ayrton Senna (1988, 1989 e 1990 [todas de McLaren]), e Fernando Alonso (2005 [Renault], 2010 e 2012 [ambas de Ferrari]).

Dentre os outros pilotos atuais, Lewis Hamilton tem uma vitória (2008, de McLaren), e Nico Rosberg tem uma também (2014, de Mercedes).

A equipe com maior nº de vitórias em Hockenheim é a Ferrari, com 11 no total (1977, 1982, 1983, 1994, 1999, 2000, 2002, 2004, 2006, 2010 e 2012).
Em 2º está a Williams com 9 vitórias (1979, 1986, 1987, 1991, 1992, 1993, 1996, 2001 e 2003).
Na 3ª posição está a McLaren, com 6 vitórias (1984, 1988, 1989, 1990, 1998 e 2008).

Os pilotos com maior número de pole positions (três cada) são Alain Prost (1981 [Renault], 1984 [McLaren] e 1993 [Williams]), Nigel Mansell (1987, 1991 e 1992 [todas de Williams]) e Ayrton Senna (1988, 1989 e 1990, todas de McLaren, o único piloto com 3 poles consecutivas em Hockenheim).

Os pilotos atuais com poles em Hockenheim são:
- Kimi Räikkönen, com duas, em 2005 e 2006, ambas na McLaren;
- Lewis Hamilton, com uma, em 2008, de McLaren;
- Sebastian Vettel, com uma, em 2010, de Red Bull;
- Fernando Alonso, com uma, em 2012, de Ferrari;
- Nico Rosberg, com uma, em 2014, de Mercedes.

A volta mais rápida no atual circuito foi do alemão Michael Schumacher, de Ferrari, em 2004, que foi a pole position naquele ano. Ele registrou 1’13.306 min., com média de 224,625 km/h.


A 12ª prova da temporada 2016 da F1 será a 35ª em Hockenheim na Fórmula 1 (76ª na história do GP Alemão, e 64ª na Fórmula 1, se considerarmos as 2 provas extra-campeonato em 1950 e 1960), terá 67 voltas, e será disputada no dia 31 de julho.

#15 - Grande Prêmio da Alemanha (parte 1)

* por Carlos Werzel Júnior

É uma prova automobilística anual realizada em quase todos os anos desde 1926. Ela tem uma história estável dentre os Grand Prix mais velhos, tendo sido realizada em 3 circuitos apenas: Nürburgring, Hockenheimring e AVUS.

O primeiro Grand Prix oficial na Alemanha foi realizado em 1926, no circuito de AVUS, e os subsequentes, ainda antes da 2ª Guerra Mundial, foram realizados em Nürburgring. De 1927 a 1929 no circuito Nürburgring Gesamtstrecke (circuito combinado de mais de 28 quilômetros), e depois em Nürburgring Nordschleife (um pouco mais curto, com quase 23 quilômetros).

O grande piloto neste período pré 2ª Guerra Mundial foi o alemão Rudolf Caracciola, que detém o recorde de vitórias no Grand Prix Alemão, com 6 triunfos, todos de Mercedes. Aliás, Caracciola foi um dos grandes pilotos pré 2ª Guerra Mundial na história do automobilismo!

Após a 2ª Guerra Mundial o GP Alemão só foi incluído na Fórmula 1 em 1951, no circuito Nürburgring Nordschleife, que ficou no calendário até 1958. Apenas em 1955 não houve GP da Alemanha devido ao desastre das 24 Horas de Le Mans daquele ano.

Em 1959 o GP da Alemanha foi transferido para o veloz circuito de AVUS (Automobil-Verkehrs- und Übungsstraße). AVUS tinha 8.300 metros, sendo 2 longas retas de 4 km cada, um hairpin numa ponta, e na outra um “banking”, uma curva com inclinação de 43º (para comparação, o circuito de Daytona tem curvas de 31º), que era conhecida como “O Muro da Morte”. O piloto francês Jean Behra faleceu em uma prova de Fórmula 2, antes da prova da F1, ao perder o controle do seu carro na curva inclinada, voou para fora da pista e bateu a cabeça em um poste.


A corrida em AVUS foi atípica, pois os pilotos disputaram 2 baterias, num total de 60 voltas. Foi a única prova disputada em AVUS, pois era um circuito muito perigoso. Em 1960 volta para Nürburgring, no circuito Sudschleife, mais curto, mas houve apenas uma prova de Fórmula 2, devido à reclamações de alguns pilotos sobre o perigo e velocidade de AVUS.

Em 1961 o GP Alemão volta à F1 no circuito Nürburgring Nordschleife. As provas de Fórmula são disputadas lá até 1969. Em 1967 foi adicionada uma chicane logo antes da reta dos boxes, por segurança.

As velocidades na Fórmula 1 haviam aumentado bastante, e após o falecimento do piloto inglês Piers Courage no GP da Holanda de 1970, a GPDA (Grand Prix Drivers’ Association) reuniu-se em um hotel, pois, por falta de segurança, os pilotos não queriam mais correr em Nürburgring Nordschleife.

As mudanças que os pilotos pediram foram recusadas pelos donos do circuito Nürburgring Nordschleife, e o GP Alemão de 1970 foi realizado em Hockenheimring.

Em 1971 o GP da Alemanha volta a Nürburgring Nordschleife, com o mesmo traçado, mas com mais segurança. Neste ano Jackie Stewart chamou o circuito de “Green Hell” (inferno verde).

Em 1975 Niki Lauda se torna o único o piloto a completar uma volta no circuito de 22,8 km abaixo dos 7 minutos! Em 1976 acontece o último GP em Nürburgring Nordschleife, pois houve o grave acidente de Niki Lauda, que quase o matou.

Assim acabariam as provas da Fórmula 1 no grande circuito Nürburgring Nordschleife, que era bastante desafiador, perigoso, tinha cerca de 170 curvas (!!), tinha saltos (os carros literalmente voavam) ao menos em 2 trechos, e que vitimou alguns pilotos (para não escrever vários).

O traçado usado até 1966
O traçado usado de 1967 até 1976, única diferença é a chicane logo antes da reta dos boxes
A F1 vai para Hockenheim, onde são disputadas provas de 1977 a 1984. Em 1985 o GP Alemão acontece em Nürburgring, mas num circuito remodelado, bem mais curto, com 4.556 metros.

O traçado de 1985

Com a política da FISA (pré FIA) de firmar longos contratos de uma pista por Grande Prêmio, em 1986 o GP Alemão volta a ser realizado em Hockenheim, até o ano de 2006.

Não houve GP da Alemanha em 2007 (houve o GP da Europa em Nürburgring). De 2008 em diante Hockenheim e Nürburgring revezam no GP Alemão. A exceção foi em 2015, em que o GP foi cancelado.

Traçado usado até 2001, mudaram os nomes de algumas curvas em relação ao traçado de 1985
Traçado usado de 2002 até hoje

Alguns momentos marcantes (dentre os vários) no GP Alemão (na história):

1957: neste GP houve, talvez, a maior vitória do pentacampeão Juan Manuel Fangio. Ele decidiu largar com pneus mais moles e meio tanque de combustível, para ir mais rápido que os outros, especialmente as Ferraris de Mike Hawthorn e Peter Collins.
A prova tinha 22 voltas (foi em Nürburgring), e na volta 13 Fangio parou para um pit stop, tendo uma vantagem de 30 segundos para Hawthorn.
O pit foi um desastre, e Fangio saiu dos boxes a cerca de 48 segundos atrás do 2º colocado, Peter Collins.
Nas últimas 10 voltas que restavam, Fangio quebrou o recorde de volta por 9 vezes, sendo 7 seguidas (só para termos uma ideia, na 1ª volta após o pit, Fangio diminuiu a vantagem para o líder em 15 segundos!!).
Na penúltima volta Fangio não só encostou nos 2 líderes, como os ultrapassou, e conseguiu uma magnífica vitória!
Fangio, após a prova, disse “Eu nunca dirigi tão rápido em minha vida, e eu não acho que serei capaz de fazer isso novamente”.


1976: no último GP realizado no circuito de Nürburgring Nordschleife, na 2ª volta houve o grave acidente de Niki Lauda. Seu carro pegou fogo, e ainda foi atingido por Harald Ertl e Brett Lunger. Estes 2 pilotos, mais Guy Edwards e Arturo Merzario, desceram de seus carros para ajudar Lauda a sair do seu carro em chamas.
Lauda sofreu graves queimaduras e foi levado ao hospital, onde lutou por sua vida.
Incrivelmente, 6 semanas depois Lauda volta a disputar o campeonato da F1 em 1976, porém perde o título para James Hunt. Mas sua recuperação foi algo impressionante!



1982: já em Hockenheim, neste ano houve o famoso incidente entre Nelson Piquet e o chileno Eliseo Salazar.
Na 18ª volta, Piquet liderava a prova, e iria dar uma volta no retardatário Salazar, de ATS. Mas ao chegarem na então nova chicane Ostkurve, Salazar não deu espaço para Piquet, e os 2 bateram.
O resultado vemos no vídeo!



2000: Rubens Barrichello consegue sua 1ª vitória na Fórmula 1! E que vitória.
Rubens largou em 18º, e já ao final da 1ª volta estava em 10º. Chegou a estar em 3º quando fez seu pit stop.
Houve 2 safety cars, um pois um homem (ex funcionário da Mercedes Benz) protestou contra sua demissão, e o outro por um acidente entre Jean Alesi e Pedro Paulo Diniz.
Na volta 33 começa a chuva, e vários pilotos pararam nos boxes para colocarem pneus para chuva. Barrichello decidiu permanecer com os pneus para pista seca, até porque a maioria do traçado ainda estava seco, só o trecho do chamado “estádio” e a reta dos boxes estavam molhados.

E a aposta deu certo!