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terça-feira, 30 de agosto de 2016

#17 - Grande Prêmio da Itália (parte 2)

(...cont.)

* por Carlos Werzel Júnior


Vejam os traçados que Monza já teve:

1 - com 6.300 metros, utilizado de 1950 a 1954, ainda não existia a Parabolica;
2 - com 10 km, incluía o oval, foram disputadas 4 provas na F1: em 1955, 1956, 1960 e 1961;
3 - com 5.750 metros, utilizado de 1957 a 1959, e de 1962 a 1971;
4 - com 5.775 metros, foi utilizado em 1972 e 1973, foram incluídas a 1ª e a 2ª chicanes;
5 - com 5.780 metros, foi utilizado em 1974 e 1975, houve modificação na 2ª chicane;
6 - com 5.800 metros, foi utilizado de 1976 a 1993, foi criada a Variante del Retiffilo no lugar da 1ª chicane, à 2ª chicane deu-se o nome de Variante Ascari, e também foi criada a Variante della Roggia;
7 - também com 5.800 metros, foi utilizado em 1994, foi alterada a 2ª Curva di Lesmo;
8 - com 5.770 metros, foi utilizado de 1995 a 1999, houve alterações na Curva Grande e na 1ª Curva di Lesmo;
9 - com 5.793 metros, utilizado de 2000 até os dias atuais, foi alterada a Variante del Rettifilo

O atual traçado de Monza tem 5.793 metros, fica em um autódromo, é de alta velocidade e no sentido horário. Possui 11 curvas, sendo 7 para a direita e 4 para a esquerda.

Há um acordo assinado entre Bernie Ecclestone e os administradores do circuito de Monza, de 18 de março de 2010, assegurando o GP da Itália no circuito até este ano de 2016.

Até hoje foram disputados 85 GP’s da Itália, em toda sua história, sendo 16 antes da 2ª Guerra Mundial, mais 3 após a 2ª Guerra, e 66 provas na Fórmula 1. Das 66, foram 65 em Monza e apenas uma em Imola. Lembrando que não está sendo contado o GP de Pescara em 1957.
Monza é o circuito com maior nº de GP’s na Fórmula 1!!

Na história do GP Italiano o maior vencedor é o alemão Michael Schumacher, com 5 vitórias, nos anos de 1996, 1998, 2000, 2003 e 2006 (todas de Ferrari).

Em 2º lugar está o brasileiro Nelson Piquet, com 4 triunfos, nos anos de 1980 e 1983 (de Brabham), 1986 e 1987 (de Williams).

Na 3ª posição, com 3 vitórias, temos 9 pilotos, dentre eles Juan Manuel Fangio, Stirling Moss, Ronnie Peterson, Alain Prost, Rubens Barrichello (2002, 2004 [as 2 de Ferrari] e 2009 [Brawn]), Sebastian Vettel (2008 [Toro Rosso], 2011 e 2013 [as 2 de Red Bull]) e Lewis Hamilton (2012 [McLaren], 2014 e 2015 [as 2 de Mercedes]).

Dos outros pilotos atuais, com 2 vitórias está o espanhol Fernando Alonso, com suas vitórias em 2007 (McLaren) e 2010 (Ferrari). Nenhum outro piloto (dentre os atuais) venceu na Itália, na F1.
Como curiosidade, com 2 vitórias também estão outros 10 pilotos, dentre eles Ayrton Senna (1990 e 1992, ambas de McLaren) e Damon Hill (1993 e 1994, ambas de Williams).

A equipe com maior número de vitórias é a Ferrari, com 19 vitórias, nos anos de 1949, 1951, 1952, 1960, 1961, 1964, 1966, 1970, 1975, 1979, 1988, 1996, 1998, 2000, 2002, 2003, 2004, 2006 e 2010.

Em 2º lugar está a McLaren, com 10 vitórias, nos anos de 1968, 1984, 1985, 1989, 1990, 1992, 1997, 2005, 2007 e 2012.

Apenas em Monza o maior vencedor é Michael Schumacher, com as 5 vitórias acima citadas.

Em 2º, com 3 vitórias, estão os pilotos citados acima, mais Nelson Piquet (isto pois em 1980 ele venceu no circuito de Imola). Também possuem 3 vitórias em Monza os italianos Tazio Nuvolari (as 3 vitórias aconteceram antes da 2ª Guerra Mundial, em 1931, 1932 [estas duas de Alfa Romeo] e 1938 [de Auto Union]); e Alberto Ascari (uma antes de existir a Fórmula 1, em 1949, e em 1951 e 1952, todas de Ferrari).

Os outros vencedores em Monza são os já mencionados acima.

A equipe com maior nº de vitórias em Monza é a Ferrari, com as 19 vitórias citadas mais acima.
Em 2º está a McLaren, com as mesmas 10 vitórias acima citadas.

Os pilotos com maior número de pole positions, apenas em Monza, com 5 cada, são Juan Manuel Fangio (1950 e 1951 [ambas de Alfa Romeo], 1954 e 1955 [as 2 de Mercedes] e 1956 [Ferrari]) e Ayrton Senna (1985 [Lotus], 1988, 1989, 1990 e 1991, todas de McLaren, o único piloto com 4 poles consecutivas).

Em 2º está Lewis Hamilton, com 4 poles, nos anos de 2009 e 2012 (ambas de McLaren), 2014 e 2015 (ambas de Mercedes).

Os outros pilotos atuais com poles em Monza são:
- Sebastian Vettel, com 3, em 2008 (Toro Rosso), 2011 e 2013 (ambas de Red Bull);
- Fernando Alonso, com 2, em 2007 (McLaren) e 2010 (de Ferrari);
- Kimi Räikkönen, com uma, em 2006, de McLaren.

A volta mais rápida no atual circuito foi do brasileiro Rubens Barrichello, de Ferrari, em 2004, que foi a pole position naquele ano. Ele registrou 1’20.089 min., com média de 260,395 km/h.
Mas, na 1ª parte dos treinos oficiais, o colombiano Juan Pablo Montoya registrou uma volta com o tempo de 1’19.525 min., com média de 262,242 km/h! Foi a mais rápida da história da Fórmula 1!!


A 14ª prova da temporada 2016 da F1 será a 66ª em Monza na Fórmula 1 (86ª na história do GP Italiano, e 67ª na Fórmula 1, sem contar o GP de Pescara de 1957), terá 53 voltas, e será disputada no dia 4 de setembro.


#17 - Grande Prêmio da Itália (parte 1)

* por Carlos Werzel Júnior

É uma das provas automobilísticas mais antigas existentes. Faz parte da Fórmula 1 desde 1950, e ocorreu em todos os anos desde então.

O primeiro Grande Prêmio foi realizado em 1921, em um circuito próximo a Brescia.

Em 1922, entre os meses de maio a julho, foi construído o Autodromo Nazionale Monza, por 3.500 trabalhadores, financiado pelo Automóvel Clube de Milão. O circuito fica próximo da cidade de Monza, ao norte de Milão, na Itália. Foram construídos um traçado de 5,5 km e um oval de 4,5 km de extensão. No total, o traçado dá 10 km. O oval possui curvas inclinadas em relação à superfície, elas possuem cerca de 30º cada.

Em 1922 aconteceu o 1º GP em Monza, e inicialmente utilizavam o circuito completo, somando o oval. Desde o início mostrou-se um circuito veloz e perigoso, sendo que o primeiro GP trágico foi o de 1928. Em 1929 e 1930 não houve GP em Monza, voltando em 1931.

Em 1933 houve outro GP trágico em Monza, por conta de óleo (que saiu de um dos carros) em uma das curvas anguladas do oval. Em 1935 alterações foram feitas no traçado, com a inclusão de chicanes em alguns trechos. Em 1937 o GP italiano foi em Livorno, no Circuito del Montenero.

Houve GP’s até 1938, quando veio a 2ª Guerra Mundial. O GP da Itália volta em 1947, desta vez em um circuito de rua em Milão, no Sempione Park. Em 1948 o GP Italiano foi realizado em Turim, no Valentino Park.

Em 1949 o GP Italiano volta ao circuito de Monza, e foi incluído no calendário da recém criada Fórmula 1 em 1950. A partir de então os GP’s Italianos foram realizados sempre em Monza (até os dias atuais), somente em 1980 que não, quando passou ao circuito de Imola. Isto ocorreu pois Monza passou por melhorias, incluindo a construção de novos boxes.


O traçado de Imola em 1980, que foi o GP da Itália daquele ano

Em 1957 houve outro GP na Itália, o chamado GP de Pescara. Foram utilizadas estradas para o circuito, passava por cidades próximas a Pescara. Foi o circuito mais longo de toda a história da Fórmula 1, ele tinha 25.800 metros de extensão. Também era bastante perigoso, tanto que Enzo Ferrari, o dono da equipe Ferrari, não mandou seu time para esta prova, por segurança de seus pilotos. Foi o único GP oficial realizado lá, pela Fórmula 1.


O longo e perigoso circuito de Pescara

Voltando a Monza, é um circuito veloz e que passou por mudanças em seu traçado ao longo dos anos. O traçado completo, com o circuito oval, foi utilizado em 4 provas na Fórmula 1: 1955, 1956, 1960 e 1961. Aliás, em 1960 havia voltado o circuito oval, pois os organizadores italianos queriam ‘ajudar’ a Ferrari, que tinham motores mais potentes que os carros britânicos. As equipes britânicas criticaram, pois achavam que as curvas anguladas eram frágeis e bastante duras para os carros, por isso boicotaram o GP de 1960.

Fato é que Monza é um dos templos do automobilismo, circuito que já decidiu títulos mundiais na Fórmula 1, e que infelizmente vitimou grandes pilotos.

Alguns fatos marcantes do GP Italiano:

1957 e 1958: não exatamente pela Fórmula 1, mas nestes dois anos ocorreu a “Corrida dos Dois Mundos”. Era pra ser uma disputa entre carros da USAC (antiga Fórmula Indy) e da F1, no oval de Monza. Porém, várias equipes da F1 desistiram de participar, para preservarem a segurança dos seus pilotos, pois o oval de Monza era muito exigente na parte mecânica dos carros.
As provas foram no sentido anti-horário do circuito, e pela semelhança com Indianápolis (também foram 500 milhas), ficaram conhecidas como Monzanápolis.

Abaixo um video da prova de 1957:




1961: o piloto alemão Wolfgang Von Trips (que seria o 1º alemão campeão do mundo), aproximando-se da Parabolica, tocou no carro de Jim Clark, e voou sobre os torcedores próximos (matando 14), e seu corpo foi atirado para fora do carro, falecendo na hora.

No video a narração é em alemão:




1970: o austríaco Jochen Rindt, nos treinos para o GP em sua Lotus, ao se aproximar da Parabolica, perdeu o controle de seu carro, vindo a bater feio no guard rail. Acabou falecendo quase que instantaneamente. A equipe Lotus retirou-se da prova, e graças à vitória de seu substituto Emerson Fittipaldi, nos EUA, Rindt acabou se tornando o único campeão póstumo da F1.




1971: aconteceu um dos finais mais emocionantes na história da F1! Os cinco primeiros colocados terminaram a prova bastante próximos. Vitória do britânico Peter Gethin (BRM); o 2º foi Ronnie Peterson (March), a 0.01 segundo; o 3º François Cevert (Tyrrell), a 0.09 segundo; em 4º Mike Hailwood (Surtees), a 0.18 segundo; e em 5º ficou Howden Ganley (BRM), a 0.61 segundo do 1º! Foi o último GP sem chicanes no traçado de Monza.




1978: um grave acidente na largada. Riccardo Patrese ultrapassou James Hunt, pela direita, e Hunt se moveu para a esquerda atingindo o pneu traseiro de Ronnie Peterson. Mais 7 pilotos foram envolvidos no acidente. Peterson sofreu várias lesões nas pernas, e como o carro pegou fogo, ele inalou fumaça e fogo. Ainda estava consciente quando foi levado ao hospital. Mas no dia seguinte, o piloto sueco faleceu de embolia pulmonar. Mais um talento que sucumbiu aos riscos do automobilismo.

Video em alemão:




Estes são apenas alguns dos momentos marcantes nos GP’s Italianos em Monza que colocamos, pois existem tantos. Se fôssemos colocar vários, ficaria muito longo o texto.

(continua...)