terça-feira, 19 de julho de 2016

#14 - Grande Prêmio da Hungria (parte 2)

* por Carlos Werzel Júnior

(cont.)

Fora os momentos marcantes na 1ª parte do texto, no GP da Hungria ocorreu ainda:

- em 1987 Mansell teve um pneu furado no final da prova;
- em 1993 aconteceu a 1ª vitória de Damon Hill na Fórmula 1;
- em 1997 houve a “quase” vitória de Damon Hill, pela Arrows;
- em 2001, Michael Schumacher igualou a Alain Prost em nº de vitórias, 51;
- em 2003 aconteceu a 1ª vitória de Fernando Alonso na F1, que foi também a 1ª vitória de um piloto espanhol na categoria;
- em 2006 ocorreu a 1ª vitória de Jenson Button na categoria, que, aliás, foi a 1ª prova abaixo de chuva na Hungria;
- em 2008 a vitória foi do finlandês Heikki Kovalainen, que se tornou o 100º piloto vencedor na Fórmula 1;
- em 2010 houve a sensacional ultrapassagem de Rubens Barrichello sobre o alemão Michael Schumacher na reta dos boxes, mesmo passando a centímetros do muro, já que Schumacher o espremeu no muro;
- por fim, também em GP’s Húngaros houve as estreias de 2 pilotos, como 1º piloto de seus países na F1: o húngaro Zsolt Baumgartner em 2003, e o polonês Robert Kubica em 2006.

O circuito de Hungaroring inicialmente tinha 4.014 metros, e era bem mais lento (tinha 2 curvas a mais), com médias de 159 a 164 km/h. Assim foi até 1988. Já em 1989 foi modificado o traçado, que ficou mais rápido (porém ainda de baixa velocidade), tendo 3.975 metros, isto até 2002.

O atual circuito, que começou a ser utilizado em 2003, tem 4.381 metros, fica em um autódromo permanente, é de média baixa velocidade e no sentido horário. Possui 14 curvas, sendo 8 para a direita e 6 para a esquerda.


Os 3 traçados que Hungaroring já teve: o , mais lento, tinha 2 curvas a mais (a chamada curva "3", em verdade eram 3 curvas), foi usado de 1986 a 1988; o 2º traçado foi usado de 1989 a 2002; e o último traçado, usado até hoje, no qual a reta dos boxes foi alargada, foi alterada a curva 1, e também o trecho entre as curvas 10 e 12

Duas curvas possuem nomes: a curva 4 é a Nigel Mansell, isso depois que o piloto inglês teve problema em seu pneu no GP de 1987. E a curva 11 é a Jean Alesi, após o piloto francês ter sofrido um forte acidente nos treinos do GP de 1995.

Vejam o acidente de Jean Alesi em 1995 (lá por 5:23 do video):

No GP de 2013 foi anunciado que a Hungria continuará no calendário da F1 até 2021. E neste ano de 2016 foi feito o anúncio de uma extensão no contrato com o GP Húngaro por mais 5 anos. Portanto, o GP da Hungria está garantido até 2026!

Até hoje foram disputados 30 GP’s da Hungria na Fórmula 1.

Os maiores vencedores são Michael Schumacher e Lewis Hamilton, com 4 vitórias cada. O alemão venceu em 1994 (Benetton), 1998, 2001 e 2004 (as 3 de Ferrari); enquanto o inglês subiu ao mais alto lugar do pódio nos anos de 2007, 2009, 2012 (as 3 de McLaren) e 2013 (Mercedes).

Em 2º lugar, com 3 vitórias, está o brasileiro Ayrton Senna, nos anos de 1988, 1991 e 1992, todas na McLaren.

Na 3ª posição, com 2 vitórias, temos 5 pilotos, dentre eles o inglês Jenson Button, com seus triunfos em 2006 (Honda) e 2011 (McLaren).

Já quanto às equipes, a maior vencedora é a McLaren, com 11 conquistas, nos anos de 1988, 1991, 1992, 1999, 2000, 2005, 2007, 2008, 2009, 2011 e 2012.
Em 2º lugar está a Williams, com 7 vitórias (1986, 1987, 1990, 1993, 1995, 1996 e 1997), e em 3º a Ferrari com 6 vitórias (1989, 1998, 2001, 2002, 2004 e 2015).

O piloto com maior número de pole positions é Michael Schumacher, com 7 ao todo, nos anos de 1994, 1996, 1997, 2000, 2001, 2004 e 2005.

Em 2º lugar está Lewis Hamilton, com 5 poles na Hungria, nos anos de 2007, 2008, 2012, 2013 e 2015.

Os outros pilotos atuais com poles em Hungaroring são:
- Fernando Alonso, com duas, em 2003 e 2009, ambas na Renault;
- Sebastian Vettel, com duas, em 2010 e 2011, ambas na Red Bull;
- Kimi Raikkonen, com uma, em 2006, de McLaren;
- Nico Rosberg, com uma, em 2014, de Mercedes.

A volta mais rápida no atual circuito foi do alemão Sebastian Vettel, de Red Bull, em 2010, que foi a pole position naquele ano. Ele registrou 1’18.773 min., com média de 200,216 km/h.

A 11ª prova da temporada 2016 da F1 será a 31ª em Hungaroring na Fórmula 1 (32ª na história do GP Húngaro, se considerarmos a prova de 1936, em Népliget), terá 70 voltas, e será disputada no dia 24 de julho.

#14 - Grande Prêmio da Hungria (parte 1)

* por Carlos Werzel Júnior

É uma prova automobilística que está na Fórmula 1 desde 1986.

Todavia, a primeira corrida realizada na Hungria foi em 1936, num circuito de 5 quilômetros, localizado em Népliget, um parque em Budapeste. Porém, a política e a subsequente 2ª Guerra Mundial significaram um fim às corridas de automóveis no país, por 50 anos.

No início dos anos 80, Bernie Ecclestone queria uma corrida na chamada “Cortina de Ferro” (países comunistas). Houve uma proposta de um circuito em Moscou, para um Grande Prêmio da União Soviética. A prova foi incluída provisoriamente no calendário de 1983 da F1, mas barreiras burocráticas impediram a realização da prova.

Um amigo húngaro sugeriu a Bernie uma prova na Hungria. Eles queriam um circuito de rua semelhante ao Circuito de Mônaco, que a princípio seria construído em Népliget (parque de Budapeste), mas o governo local decidiu construir um novo circuito fora da cidade, próximo de uma rodovia.

A construção do circuito iniciou em 1º de outubro de 1985, e foi terminado em 8 meses, tendo a construção levado menos tempo do que qualquer outro circuito da Fórmula 1.

O circuito é chamado de Hungaroring, e fica na cidade de Mogyoród, uma pequena cidade de pouco mais de 5 mil habitantes, e que está a 18 km de Budapeste.

O 1º GP Húngaro, na F1, foi realizado em 1986 e jamais deixou o calendário. O GP é realizado no meio do verão europeu, e na região do circuito o verão é muito quente e seco. Portanto, é bastante exigente dos pilotos esta prova. O 1º GP realizado lá com chuva foi em 2006!

É um circuito estreito, de baixa velocidade, tem muitas curvas e retas curtas, e também é empoeirado, por ser pouco usado durante o ano. Ou seja, um circuito onde as ultrapassagens são bem difíceis de acontecer, mas não impossíveis.

Alguns momentos marcantes do GP da Hungria:

1986: já no primeiro GP na Fórmula 1, tivemos a épica batalha entre os brasileiros Nélson Piquet e Ayrton Senna! Abrindo a volta 54, Piquet tentou ultrapassar Senna na freada da 1ª curva, mas freou tarde demais, e Senna voltou à liderança.
Mas duas voltas depois, não teve jeito, Senna deixou o lado de fora para Piquet, que assim mesmo o ultrapassou, inclusive dirigindo meio de lado, como um kart. Bela ultrapassagem!

Vejam nos videos abaixo, primeiro a tentativa sem êxito de Piquet, depois a ultrapassagem histórica!



1989: Nigel Mansell, de Ferrari, larga em 12º e vence a prova, após uma grande ultrapassagem em Ayrton Senna.



1998: Michael Schumacher obteve uma grande vitória, pois mudou a estratégia de pit-stops no meio da prova, conseguindo assim bater as McLarens de Coulthard e Hakkinen.

Abaixo um video com melhores momentos desta prova




2009: na 2ª parte da qualificação (o Q2) Felipe Massa sofreu um grave acidente. Na reta entre as curvas 3 e 4, ele foi atingido por uma mola, que saiu do carro de Rubens Barrichello, atingindo o capacete de Massa, acima do seu olho esquerdo. Massa ficou inconsciente e bateu na proteção de pneus na curva 4. Acabou indo para o hospital, onde fez cirurgia, mas depois de alguns dias começou a se recuperar.

Segue abaixo um video com este incidente, narrado em francês

terça-feira, 5 de julho de 2016

#13 - Grande Prêmio da Inglaterra (última parte)

* por Carlos Werzel Júnior

Já houve 66 GP’s da Inglaterra na Fórmula 1, e 70 na história do GP Inglês. Dos 66 Grande Prêmios, foram 5 em Aintree, 12 em Brands Hatch e 49 no circuito de Silverstone. Houve 2 GP’s em Brands Hatch e um em Donington Park como GP da Europa.

Não foi escrito antes, mas também houve várias provas extra-campeonato em Silverstone, na Fórmula 1, até 1980.

Na história do GP Inglês os pilotos que mais venceram foram 2, com 5 vitórias cada: Jim Clark (1962, 1963, 1964, 1965 e 1967 [todos de Lotus]), e Alain Prost (1983 [Renault], 1985, 1989 [essas 2 de McLaren], 1990 [Ferrari] e 1993 [Williams]).

Em 2º está o inglês Nigel Mansell, com 4 vitórias: 1986, 1987, 1991 e 1992, todas na Williams.

Dos atuais pilotos, Lewis Hamilton é o 3º (com mais 3 pilotos), com 3 vitórias: 2008 [McLaren], 2014 e 2015 [ambas de Mercedes].
E Fernando Alonso é o 4º (com mais 8 pilotos), com 2 vitórias: 2006 [Renault] e 2011 [Ferrari].

A equipe com maior número de triunfos no GP Inglês, na história, é a Ferrari, com 15 vitórias: 1951, 1952, 1953, 1954, 1958, 1961, 1976, 1978, 1990, 1998, 2002, 2003, 2004, 2007 e 2011. A McLaren está em 2º, com 14 conquistas: 1973, 1975, 1977, 1981, 1982, 1984, 1985, 1988, 1989, 1999, 2000, 2001, 2005 e 2008.

Apenas em Silverstone o piloto com maior número de vitórias é o francês Alain Prost, com 5 conquistas: 1983 (Renault), 1985 e 1989 (ambas de McLaren), 1990 (Ferrari) e 1993 (Williams).

Em segundo lugar são 4 pilotos, com 3 vitórias:
- Jim Clark: 1963, 1965 e 1967, todas de Lotus;
- Nigel Mansell: 1987, 1991 e 1992, todas de Williams;
- Michael Schumacher: 1998, 2002 e 2004, todas de Ferrari;
- Lewis Hamilton: 2008 (McLaren), 2014 e 2015 (ambas de Mercedes).

Dos outros pilotos atuais Fernando Alonso tem 2 vitórias (2006 [Renault] e 2011 [Ferrari]); Kimi Räikkönen tem 1 vitória (2007, de Ferrari); Sebastian Vettel tem 1 vitória (2009, de Red Bull); e Nico Rosberg tem 1 vitória também, em 2013, de Mercedes.

* Uma curiosidade: apesar de na Fórmula 1 o brasileiro Ayrton Senna ter vencido apenas uma vez em Silverstone, em 1988, ele venceu 6 vezes lá na Fórmula 3, e mais 3 vezes na Fórmula Ford, totalizando 10 vitórias no circuito! Daí surgiu o apelido “Silvastone”! Informação retirada do link http://www.ayrtonsenna.com.br/noticias/a-origem-do-apelido-silvastone/

E as equipes mais vitoriosas em Silverstone são a Ferrari e a McLaren, com 12 vitórias cada. A Ferrari venceu em 1951, 1952, 1953, 1954, 1958, 1990, 1998, 2002, 2003, 2004, 2007 e 2011.
Já a McLaren triunfou em 1973, 1975, 1977, 1981, 1985, 1988, 1989, 1999, 2000, 2001, 2005 e 2008.

Em 2º lugar está a Williams, com 8 vitórias, nos anos de 1979, 1987, 1991, 1992, 1993, 1994, 1996 e 1997.

Com o maior número de pole positions, em Silverstone, são 5 pilotos, com 3 poles cada:
- Jim Clark (1963, 1965 e 1967, as 3 de Lotus);
- Nigel Mansell (1990 [de Ferrari], 1991 e 1992 [ambas de Williams]);
- Damon Hill (1994, 1995 e 1996, as 3 de Williams);
- Fernando Alonso (2005, 2006 [ambas de Renault] e 2012 [de Ferrari]);
- Lewis Hamilton (2007 [de McLaren], 2013 e 2015 [ambas de Mercedes]).

Dos demais pilotos atuais, os que têm pole são:
- Sebastian Vettel, com duas (2009 e 2010, ambas de Red Bull);
Kimi Räikkönen, com uma (2004, de McLaren);
- Nico Rosberg, com uma (2014, de Mercedes).

O circuito de Silverstone, com seu atual traçado (também chamado de Arena Grand Prix Circuit), tem 5.891 metros, está em um autódromo, e é disputado no sentido horário, além de ser de alta velocidade. Possui 18 curvas, sendo 10 para a direita e 8 para a esquerda.

A volta mais rápida no atual circuito foi do inglês Lewis Hamilton, de Mercedes, em 2013, que foi a pole position naquele ano. Ele registrou 1’29.607 min., com média de 236,673 km/h.

A 10ª prova da temporada 2016 da F1 será a 50ª em Silverstone (67ª na história do GP Inglês na F1, e o 71º na história do GP), terá 52 voltas, e será disputada no dia 10 de julho.



#13 - Grande Prêmio da Inglaterra (parte 1)

* por Carlos Werzel Júnior

É uma das provas mais antigas a sediar continuamente uma etapa da Fórmula 1, ao lado do GP da Itália.

O 1º Grande Prêmio foi realizado em 1926, no circuito oval de Brooklands, que fica na cidade de Weybridge, condado de Surrey. Este oval foi construído em 1907.



Houve apenas mais um GP em Brooklands, em 1927. Na década de 1930 houve várias provas não válidas para campeonato algum, no circuito de Donington Park.

Com o início da 2ª Guerra Mundial o oval de Brooklands ficou destruído, e foi abandonado.

A maioria dos então novos circuitos ingleses construídos ficavam em campos de pouso em desuso, da Força Aérea Real inglesa. Silverstone era um destes circuitos, e sediou o primeiro GP Inglês pós-Guerra Mundial, em 1948. Em 1949, o circuito de Silverstone foi bastante modificado, ficando muito mais veloz.

Em 1950, o Campeonato de Fórmula 1 é introduzido no automobilismo mundial, e Silverstone sedia o 1º GP da história da F1. Dentre os espectadores da prova esteve a família real inglesa.

No GP de 1951 aconteceu a 1ª vitória da Ferrari na Fórmula 1, através do argentino José Froilán González.

Silverstone sediou a Fórmula 1 até 1954, pois em 1955 houve alternância com o  circuito de Aintree. Em anos ímpares o GP Inglês foi em Aintree, enquanto que nos anos pares foi realizado em Silverstone. Assim foi até 1961, pois em 1962 foi realizado novamente em Aintree, sendo o último GP Inglês na F1 neste circuito.



Em 1963 o GP da Inglaterra volta a Silverstone, e começa o rodízio com o circuito de Brands Hatch. Silverstone é utilizado nos anos ímpares, e Brands nos pares, isto até 1986. Brands Hatch, assim como Silverstone, acaba se tornando um circuito popular entre os pilotos.

Traçado de 1964 a 1974

Traçado de 1976 a 1986

Algumas pessoas tinham preocupações com as médias de velocidade em Brands Hatch, que haviam aumentado bastante. Porém, a saída de Brands do calendário foi por razões políticas. A FISA (pré FIA) instituiu uma política de contratos de longo tempo, para um circuito por Grand Prix.

Ao contrário de Brands Hatch, Silverstone se situa num grande terreno, podendo receber mais construções, facilidades etc. Então Silverstone e a BRDC (British Racing Drivers’ Club) assinaram um contrato de 7 anos com a Fórmula 1, assegurando a prova até 1993.

Silverstone está no calendário da F1 até hoje, sem dúvida é um dos templos do automobilismo mundial. Em 7 de dezembro de 2009 foi assinado um contrato de 17 anos, para Silverstone sediar o GP da Inglaterra de F1. Portanto, o GP Inglês está assegurado no circuito até 2026.

O circuito de Silverstone fica entre os condados de Northamptonshire e Buckinghamshire, mais precisamente próximo dos vilarejos de Silverstone e Whittlebury.

Sempre foi um circuito de alta velocidade, e passou por algumas modificações no traçado no decorrer dos anos. O atual traçado começou a ser usado no GP de 2010, sendo chamado de Arena Grand Prix Circuit. Em 2011 foi alterado o local dos pits e a reta de chegada, entre as curvas Club e Abbey, e é usado até hoje.

Os traçados de Silverstone:

Traçados de 1950 a 1951, e de 1952 a 1974.....diferença apenas na linha de largada e a adição do nome Farm Straight

Traçados de 1975 a 1985, e de 1987 a 1990

Traçados de 1991 a 1993, e de 1994 a 1995

Traçados de 1996, e de 1997 a 2009......diferenças apenas nas curvas Copse e Luffield

Traçado em 2010

Traçado de 2011 até hoje, houve a mudança na reta de chegada e na posição dos boxes, obviamente......é o chamado Arena Grand Prix Circuit

Alguns outros momentos marcantes nos GPs ingleses:

1973: houve uma largada com um grande acidente, que envolveu 9 carros. Quase completando a primeira volta, o sul-africano Jody Scheckter perde o controle de sua McLaren, bate no muro do lado interno da pista, e volta para o meio, e então começou o múltiplo acidente com mais 8 carros, dentre eles o brasileiro José Carlos Pace. O fato mais grave foi com o italiano Andrea de Adamich, que quebrou seu tornozelo, o que encerrou sua carreira na Fórmula 1.

Vejam a largada, a 1ª volta e o acidente:




1985: neste ano houve a pole com a maior média de velocidade, feito do finlandês Keke Rosberg com sua Williams. Ele registrou 1:05.591, com média de 258,983 km/h. Um recorde que durou até 2002, quando o colombiano Juan Pablo Montoya fez a pole em Monza, com média de 259,827 km/h. Montoya bateu seu próprio recorde em 2004, também em Monza, na 1ª parte da qualificação, quando registrou uma volta com média de 262,242 km/h.

1999: durante a prova o alemão Michael Schumacher teve um grave acidente na curva Stowe, na 1ª volta da prova, em que quebrou sua perna, perdendo quase todo o restante da temporada.

Vejam no video




2003: nesta prova houve um fato inusitado. Na 11ª volta os carros estavam saindo da curva Becketts, indo para a Reta do Hangar, quando o padre Cornelius Horan invadiu a pista, vestido de kilt e com um banner na mão onde estava escrito “Leia a Bíblia. A Bíblia sempre está correta”.

Os carros tinham que desviar dele, mas o safety car teve de ser acionado. Um fiscal de pista conseguiu retirá-lo. Posteriormente, o padre doido foi sentenciado a 2 meses de prisão.

Vejam a doideira:



terça-feira, 28 de junho de 2016

#12 - Grande Prêmio da Áustria

* por Carlos Werzel Júnior

É uma prova da Fórmula 1 sancionada pela FIA, que ocorreu nos anos de 1964, de 1970 a 1987, e de 1997 a 2003. Retornou ao calendário da F1 em 2014.

O GP Austríaco foi realizado em 2 locais diferentes na área da cidade de Zeltweg, localizada na cidade de Spielberg, no sudeste da Áustria.

Spielberg é uma cidade que fica entre as cidades de Zeltweg e Knittelfeld, no estado de Styria.

Primeiramente foi utilizado um aeródromo como pista. Em 1963 houve uma prova extra-campeonato da F1, no circuito de Zeltweg Airfield. No ano seguinte houve a única prova oficial da F1 nesse circuito. Após 105 voltas, quem venceu foi o italiano Lorenzo Bandini, de Ferrari. Aliás, acabou sendo a única vitória de Bandini na categoria!

Circuito Zeltweg Airfield

A corrida foi um sucesso, mas a pista foi considerada muito perigosa, era estreita e muito irregular. A FIA então tirou o circuito do calendário.

No ano de 1969 foi construído o circuito de Österreichring, situado nas montanhas de Styria. Era um circuito espetacular e muito rápido, em que cada curva não era feita em marcha menor que a 3ª (em câmbios de 5 marchas) ou a 4ª (em câmbios de 6 marchas).

Com o passar dos anos, muitos consideraram Österreichring como perigoso, pois em alguns trechos não havia área de escape. E também a velocidade ia crescendo ano a ano......em 1987, no então último GP Austríaco na F1, a pole foi de Nelson Piquet, que fez 1:23.357 min., com média de 255,756 km/h. À época, era o 2º circuito mais rápido do calendário, só ficando atrás de Silverstone.

Outro problema de Österreichring (literalmente ‘circuito austríaco’) era a reta de largada/chegada, que era muito estreita. Enquanto nas outras pistas a reta de chegada tinha entre 18 a 24 metros de largura, em Österreichring só tinha 9,1 metros de largura. Por isso houve muitos acidentes em largadas.

Circuito de Österreichring. Em 1977 foi feita a chicane Hella-Licht, onde havia a curva Vost-Hugel

Por todos estes problemas, o último GP em Österreichring foi em 1987. Em 1995 e 1996 a pista foi remodelada, no mesmo local, e redesenhada por Hermann Tilke. A pista foi encurtada de 5.942 metros para 4.326 metros, tendo sido retiradas várias das curvas rápidas.

Como a maior parte da construção foi paga pela provedora de telefonia móvel A1, a pista foi renomeada para A1-Ring. Houve provas em A1-Ring de 1997 a 2003. Após foi retirada do calendário da F1.

Comparativo entre A1-Ring (em preto) e o velho Österreichring (em cinza)

No final de 2004 o circuito A1-Ring foi comprado pelo co-fundador da empresa Red Bull, Dietrich Mateschitz. No final de 2008 iniciou-se a reconstrução do circuito, e em dezembro de 2012 a Red Bull contatou a FIA dizendo que a pista estava pronta para uma prova da F1. Em julho de 2013 a Red Bull anunciou o retorno do GP da Áustria em 2014.

Renomeado Red Bull Ring, o circuito está ativo no calendário da Fórmula 1 desde 2014.

Alguns momentos marcantes do GP da Áustria:

1975: nos treinos houve alguns acidentes, dentre eles o que levou Wilson Fittipaldi a quebrar 2 ossos da mão. Mas o mais grave foi do americano Mark Donohue, que bateu na curva Vost-Hugel (a 1ª do circuito), após problema num dos pneus a 260 km/h, passando por cima do guard-rail, caindo em um barranco. Dois fiscais morreram, e Donohue não aparentava ter sofrido ferimentos graves. Foi dito que a cabeça de Donohue bateu em um poste e ficou inconsciente. Porém, minutos depois recuperou a consciência, mas durante o dia reclamou de dores de cabeça. Após, entrou em coma, e veio a falecer 3 dias depois, por hemorragias no cérebro.

Por causa desse grave acidente, em 1977 colocaram uma chicane no lugar desta curva Vost-Hugel. Tornou-se conhecida como chicane Hella-Licht.

Abaixo video com o resgate do piloto americano




Mas esta prova marcou, também, a única vitória do italiano Vittorio Brambilla na F1. A prova foi encerrada com 29 voltas, por causa da forte chuva. Quando ele recebeu a bandeirada, perdeu o controle de sua March, vindo a derrapar e bater.



1985: na volta 13 aconteceu um dos acidentes mais espetaculares na F1. Andrea de Cesaris, com sua Ligier, perdeu o controle do seu carro na curva Panorama e saiu na grama, vindo a capotar várias vezes. O piloto não sofreu nada, apenas ficou com o macacão e o capacete sujos de lama. Porém, com este acidente, De Cesaris foi demitido da Ligier.



1987: nos treinos livres da sexta feira, Stefan Johansson, de McLaren, bateu em um cervo! Isso mesmo. O sueco estava a cerca de 225 km/h, matando o cervo, que simplesmente atravessou a pista, fugindo do barulho dos carros e procurando refúgio. Johansson sofreu apenas dores na cabeça e no pescoço. Foi para o hospital, mas conseguiu participar da prova no domingo. Há fotos deste incidente, como a abaixo.



A largada da prova foi bastante confusa, aliás houve 3 largadas! Nas duas primeiras houve acidentes que paralisaram a prova. A segunda foi a mais séria, após Mansell ter problemas com seu câmbio, atrapalhou todo o resto do grid atrás e ocorreu um grande acidente, envolvendo vários carros, cerca de 10, 11.

Abaixo video da 2ª largada, com narração em alemão



2002: aconteceu uma das grandes vergonhas da F1. Rubens Barrichello venceria a prova, mas por ordem da Ferrari, ele deixou Michael Schumacher ultrapassá-lo a poucos metros do final. Sem comentários!



O circuito possui 4.326 metros (mesma extensão do A1-Ring), é um autódromo permanente, no sentido horário e de média alta velocidade. Possui 9 curvas, sendo 7 para a direita e 2 para a esquerda.

Até hoje foram disputados 29 GP’s da Áustria na Fórmula 1, sendo 1 prova extra-campeonato, 1 prova em Zeltweg Airfield, 18 em Österreichring, 7 em A1-Ring e 2 no atual Red Bull Ring.

O maior vencedor do GP do Áustria é o francês Alain Prost, com 3 conquistas (1983 [de Renault], 1985 e 1986 [de McLaren]). Em 2º lugar temos 5 pilotos: Ronnie Peterson (1973, 1978 [as 2 de Lotus]); Alan Jones (1977 [Shadow], 1979 [Williams]); Mika Häkkinen (1998, 2000 [as 2 de McLaren]); Michael Schumacher (2002, 2003 [as 2 de Ferrari]) e Nico Rosberg (2014, 2015 [as 2 de Mercedes]).

Dentre as equipes, a maior vencedora é a McLaren com 6 triunfos (1984, 1985, 1986, 1998, 2000 e 2001). A Ferrari está em 2º, com 5 vitórias (1964, 1970, 1999, 2002 e 2003).

Os pilotos com maior número de poles são: Réné Arnoux, Nelson Piquet e Niki Lauda, com 3 poles cada. Arnoux em 1979, 1980 e 1981 (todos de Renault), Piquet em 1982, 1984 (os 2 de Brabham) e 1987 (Williams) e Lauda nos anos de 1974, 1975 e 1977 (todos de Ferrrari).

Dos atuais pilotos, Felipe Massa tem 1 pole, em 2014 com a Williams, e Lewis Hamilton, de Mercedes, com uma pole também, no ano de 2015.

A volta mais rápida no atual circuito foi do brasileiro Rubens Barrichello, de Ferrari, em 2002, que foi a pole position naquele ano. Ele registrou 1’08.082 min., com média de 228,747 km/h.


A 9ª prova da temporada 2016 da F1 será a 3ª no Red Bull Ring (30ª na história do GP Austríaco, se considerarmos a prova extra-campeonato em 1963), terá 71 voltas, e será disputada no dia 3 de julho.


segunda-feira, 13 de junho de 2016

#11 - Grande Prêmio da Europa

* por Carlos Werzel Júnior

É um evento da Fórmula 1 introduzido na categoria nos anos 80.

Porém, mais antigamente, o GP da Europa não era uma corrida em seus próprios direitos, mas um título honorífico. Este título foi criado pela AIACR (antecessora da FIA) e a primeira prova com este título honorífico foi o GP da Itália, em Monza, em 1923.

O GP Europeu, dessa forma (título honorífico), ocorreu em várias pistas, desde 1923 a 1977, com exceção de alguns anos. Foram 34 provas sob este título, e a 1ª prova na F1 foi o GP da Inglaterra de 1950, o 1º GP da F1 na história.

Como prova em si, o GP da Europa foi criado como “tapa-buracos”. Em 1983, o calendário da F1 tinha uma prova em Nova York, nos Estados Unidos. Quando esta prova foi cancelada 3 meses antes de ser realizada, os organizadores da pista de Brands Hatch criaram o GP da Europa.

Fez tanto sucesso este GP que ele foi incluído no calendário de 1984. Mas Brands Hatch não podia sediar o GP da Europa, pois ele já seria o GP da Inglaterra em 1984 (isto pois alternava com Silverstone para sediar o GP Inglês, nos anos pares). Então o GP Europeu de 1984 acabou sendo realizado na pista de Nürburgring, com o traçado sendo bastante encurtado.

Aliás este GP de 1984 tem uma cena engraçada! Logo após terminarem a prova, Nelson Piquet e Michele Alboreto ficam sem combustível. Vejam a reação deles! Cena hilária.



Brands Hatch voltou a sediar o GP da Europa em 1985, mas após foi substituído pelo GP da Hungria em 1986.

Em 1990 um empresário japonês, Tomonori Tsurumaki, comprou o circuito Nippon Autopolis com a ideia de sediar uma prova de Fórmula 1. Em 1992, os planos eram de ter um GP da Ásia em 1993, para substituir o GP do México. Porém estes planos falharam.

Bernie Ecclestone adicionou uma corrida em Donington Park, voltando assim o GP da Europa. Esta prova era a “menina dos olhos” de Tom Wheatcroft, que já havia tentado trazer a F1 a Donington, desde uma tentativa abortada em 1988.

Esta prova de 1993 foi a única até hoje em Donington, e é memorável pela considerada “melhor 1ª volta de todos os tempos” de Ayrton Senna. Vejam abaixo:


(video bloqueado pela FOM, mas estará em nossa página do Facebook https://www.facebook.com/radiopaddockf1/?ref=aymt_homepage_panel)

Em 1994 o GP Europeu muda-se para o circuito de Jerez de la Frontera, na Espanha. Em 1995 volta para Nürburgring, na Alemanha, continuando na pista alemã em 1996.

Em 1997, novamente, vai para a Espanha, no circuito de Jerez. Esta prova é bem conhecida pela batida deliberada (ou não) de Michael Schumacher na Williams de Jacques Villeneuve. Por conta disso, Schumacher foi desqualificado do campeonato.

Revejam no vídeo:



Em 1997 e 1998 a pista de Nürburgring sediou o chamado GP de Luxemburgo, por conta de uma regra imposta pela FIA, de nenhum país sediar mais de uma prova (já havia Hockenheim como GP da Alemanha). Em 1998 não houve GP da Europa.

O GP Europeu retorna em 1999, no circuito de Nürburgring, permanecendo como GP da Europa até 2007. Em agosto de 2006 foi anunciado que Nürburgring seria retirada do calendário da F1, e de 2007 em diante haveria apenas o GP da Alemanha, alternando entre Hockenheim e Nürburgring. Porém o GP de 2007 acabou sendo chamado Großer Preis von Europa (GP da Europa).

Após, de 2008 a 2012, houve o GP da Europa na pista de Valencia. Essa pista acabou se tornando impopular para pilotos e fãs, pela falta de pontos de ultrapassagem. Resultou que Valencia iria alternar com Barcelona sediando o GP da Espanha, de 2013 em diante. Mas Valencia, na última hora, foi retirada do contrato.

Agora, em 2016, temos o retorno do GP da Europa, desta vez no novo circuito de Baku, no Azerbaijão (que fica na Ásia).

O Baku City Circuit tem 6.006 metros, é de rua e no sentido anti-horário. Possui 20 curvas, sendo 8 para a direita e 12 para a esquerda.



Ainda não há informação se ele é de média velocidade, mas foi projetado para ser o circuito de rua mais rápido do mundo.

Alguns dos destaques do traçado são uma travessa estreita, e o trecho final que leva para a linha de chegada, na Neftchilar Avenue, dá cerca de 2,2 km.



É o segundo circuito mais longo do calendário da Fórmula 1, só ficando atrás de Spa-Francorchamps, na Bélgica.

Até hoje foram realizados 22 GP’s da Europa, como prova em si, ou seja, desde 1983, sendo 1 em Donington Park, 2 em Jerez, 2 em Brands Hatch, 5 em Valencia e 12 em Nürburgring.

O maior vencedor do GP da Europa, contando as provas de 1983 em diante, é o alemão Michael Schumacher, com 6 vitórias, em 1994, 1995 [as 2 de Benetton], 2000, 2001, 2004 e 2006 [as 4 de Ferrari].

Dos atuais pilotos, o espanhol Fernando Alonso é o 2º no geral, com 3 vitórias, nos anos de 2005 [Renault], 2007 [McLaren] e 2012 [Ferrari]. E o alemão Sebastian Vettel tem 2 triunfos, em 2010 e 2011, ambas de Red Bull.

Dentre os construtores a maior vitoriosa do GP Europeu é a Ferrari, com 7 vitórias, em 2000, 2001, 2002, 2004, 2006, 2008 e 2012. Em segundo está a McLaren, com 4 vitórias, nos anos de 1984, 1993, 1997 e 2007.

Os pilotos com maior nº de pole positions no GP da Europa são:
1) Com 3: Michael Schumacher (1994 [Benetton], 2001 e 2004 [ambas de Ferrari]) e Sebastian Vettel (2010, 2011 e 2012 [Red Bull], justamente as 3 últimas);
2) Com 2: David Coulthard (1995 [Williams] e 2000 [McLaren]) e Kimi Räikkönen (2003 [McLaren] e 2007 [Ferrari]);
3) Com 1: Fernando Alonso (2006, de Renault), Felipe Massa (2008, de Ferrari), Hamilton (2009, de McLaren), e mais 9 pilotos, dentre eles Ayrton Senna (1985, de Lotus) e Nelson Piquet (1984, de Brabham).

A 8ª prova da temporada 2016 da Fórmula 1 será o 23º GP da Europa, o 1º neste novo circuito de Baku, está programada para ter 51 voltas, num total de 306,306 km, e será realizada no dia 19 de junho, uma semana após o GP do Canadá.


Vamos verificar se as boas expectativas se confirmarão em um ótimo Grande Prêmio!