segunda-feira, 17 de outubro de 2016

#21 - Grande Prêmio dos Estados Unidos (1ª parte)

* por Carlos Werzel Júnior

É uma prova automobilística que está no calendário da Fórmula 1, em praticamente todos os anos, desde 1959.

Mas tudo começou com William Kissam Vanderbilt, que, inspirado pelas provas da Gordon Bennett Cup e do Circuit des Ardennes belga, encontrou uma série de provas de rua nos EUA para mostrar ao mundo as corridas de rua americanas. Assim iniciou a Vanderbilt Cup, na Long Island de Nova Iorque, atraindo competidores americanos e europeus. Porém, a prova foi marcada por problemas no controle do público, o que levou a mortes de pessoas que assistiam a prova, e o cancelamento da prova em 1907.

No retorno da competição em 1908, a American Automobile Association não adotou as novas regras de Grand Prix. Isto levou a rival Automobile Club of America, um grupo de entusiastas com fortes laços com a Europa, a patrocinar o Grand Prize Americano, usando as regras de Grand Prix. Quem ganhou os direitos de sediar o 1º American Grand Prize foi o Savannah Automobile Club.

Assim o 1º Grand Prize dos EUA foi realizado em um circuito de rua em Savannah, no Estado da Geórgia. O circuito tinha 40,434 km (sim, tudo isto), e apenas pra termos ideia, a volta mais rápida foi de 21’36.0 minutos, dada pelo piloto ítalo-americano Ralph de Palma, com carro da equipe Fiat.

Até 1916 houve outros Grand Prize dos EUA regularmente, em circuitos de rua em Savannah, Milwaukee, Santa Monica e San Francisco. Então acontece a 1ª Guerra Mundial, e os GP’s Americanos se encerram (lembrando que apenas os GP’s em circuitos de rua, pois as provas em ovais eram realizadas normalmente).

Chegamos à Fórmula 1 em 1950. No 1º campeonato foram incluídas as 500 Milhas de Indianápolis (mas não como GP dos EUA), que não seguiam as regras de Grand Prix da FIA, mas as regras da AAA National Championship Americana. As 500 Milhas de Indianápolis seguiram no calendário da Fórmula 1 até 1960.

Em 1958 houve o GP dos Estados Unidos, para carros esporte, da USAC Road Racing Championship, no circuito de Riverside.

Na Fórmula 1, o 1º GP dos EUA foi realizado em 1959, no circuito de Sebring, na Flórida. Foi a última prova daquele ano na F1, e a única vez que a F1 visitou esse lendário circuito, sede das 12 Horas de Sebring. E também foi a 1ª vez, desde 1950, em que 3 pilotos tinham chances de título, Jack Brabham, Stirling Moss e Tony Brooks. O título acabou sendo do australiano Brabham.

O lendário circuito de Sebring, cujo traçado tinha mais de 8 km

Nos anos seguintes, os GP’s dos EUA, na F1, foram realizados em Riverside (1960) e Watkins Glen (1961-1980). Em 1976 foi criado o GP do Oeste dos EUA, no circuito de Long Beach, que durou até 1983 (que não entram nas estatísticas aqui colocadas).

Circuito de Riverside
Outro lendário circuito, Watkins Glen, e os 2 traçados usados na F1

Não houve provas com o nome GP dos EUA de 1981 a 1988.

Em 1981 houve os GPs do Oeste dos EUA, em Long Beach, e o de Caesars Palace, no circuito de Las Vegas.

Em 1982 houve 3 GP’s em território americano: GP do Oeste dos EUA (Long Beach), GP de Detroit e GP de Caesars Palace (Las Vegas). [aqui os EUA se tornaram o único país, na história da Fórmula 1, a sediar 3 provas em um ano]

Em 1983 houve o GP do Oeste do EUA, em Long Beach (o último na F1), e o GP de Detroit.

Em 1984 tivemos os GP’s de Detroit e de Dallas (este marcado pelas altas temperaturas).

De 1985 a 1988 tivemos apenas o GP de Detroit, nos EUA.
(Estes GP’s citados não entram nas estatísticas que apresentaremos)

Os 4 traçados dos GP's que não entram nas estatísticas: 1 - Long Beach; 2 - Detroit; 3 - Las Vegas; 4 - Dallas

A prova com o nome GP dos EUA volta em 1989, no circuito de rua de Phoenix, e dura até 1991.

Os 2 traçados de Phoenix usados na F1

Há então um hiato sem GP Americano, de 1992 a 1999, e o GP dos EUA retorna à F1 em 2000, no lendário circuito de Indianápolis, mas agora em um traçado misto, e horário. Dura até 2007.

O oval de Indianápolis, e o circuito misto usado na F1

Ficamos de 2008 a 2011 sem o GP dos EUA, que retorna em 2012, no circuito de Austin.

(cont.)

terça-feira, 4 de outubro de 2016

#20 - Grande Prêmio do Japão (2ª e última parte)

* por Carlos Werzel Júnior

(continuação)

Suzuka possui atualmente 5.807 metros, a prova é disputada nos sentidos horário e anti-horário, e o circuito é de alta velocidade. Possui 18 curvas, sendo 10 para a direita e 8 para a esquerda.

O circuito tem uma reta oposta com 1,2 km, e foi modificado poucas vezes. As mudanças foram mais significativas na chicane logo antes da linha de chegada (a Casio Triangle) e na curva 130 R (logo após a pista passar por cima dela mesma). A 130 R tem esse nome porque ela tem 130 metros de raio.

Três dos traçados de Suzuka:
1 - O usado de 1987 a 1991;
2 - O usado de 1992 a 2000, com uma leve alteração na chicane Casio Triangle;
3 - O atual traçado, que começou a ser usado em 2003, houve alteração na curva 130 R, e na chicane Casio Triangle (foi colocada mais perto da 130 R).

Até hoje foram disputados 42 GP’s Japoneses, em toda sua história, sendo 11 antes da Fórmula 1 (2 em Suzuka e 9 em Fuji), e 31 na Fórmula 1, sendo 4 em Fuji e 27 em Suzuka.

Na história do GP Nipônico, os vencedores são:

VITÓRIAS
PILOTOS
ANOS E EQUIPES
6
Michael Schumacher
1995 (Benetton), 1997, 2000, 2001, 2002 e 2004 (estas 5 de Ferrari)
4
Sebastian Vettel
2009, 2010, 2012 e 2013 (todas de Red Bull)
3
Lewis Hamilton
2007 (McLaren, em Fuji), 2014 e 2015 (ambas de Mercedes, em Suzuka)



2
Motoharu Kurosawa
1969 (Nissan) e 1973 (March) [ambas em Fuji]
Gerhard Berger
1987 (Ferrari) e 1991 (McLaren)
Ayrton Senna
1988 e 1993 (ambas de McLaren)
Damon Hill
1994 e 1996 (ambas de Williams)
Mika Häkkinen
1998 e 1999 (ambas de McLaren)
Fernando Alonso
2006 e 2008 (ambas de Renault) [2008 foi em Fuji]

1
17 pilotos, dentre eles Alessandro Nannini (1989, de Benetton); Nelson Piquet (1990, de Benetton); Riccardo Patrese (1992, de Williams); Rubens Barrichello (2003, de Ferrari); Kimi Räikkönen (2005, de McLaren) e Jenson Button (2011, de McLaren), todos em Suzuka


Também na história do GP Japonês, as equipes vencedoras são:

VITÓRIAS
EQUIPES
ANOS
9
McLaren
1977 (em Fuji), 1988, 1991, 1993, 1998, 1999, 2005, 2007 (em Fuji), 2011
7
Ferrari
1987, 1997, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
4
Red Bull
2009, 2010, 2012, 2013
3
Benetton
1989, 1990, 1995
Williams
1992, 1994, 1996
2
Nissan
1968 e 1969 (ambas em Fuji)
Lotus
1963 (Suzuka) e 1976 (Fuji)
March
1973 e 1975 (ambas em Fuji)
Renault
2006 (Suzuka) e 2008 (Fuji)
Mercedes
2014, 2015
1
6 equipes, sendo elas Brabham (1964, em Suzuka); Prince (1966, em Fuji); Porsche (1967, em Fuji); Mitsubishi (1971, em Fuji); Surtees (1972, em Fuji) e BMW (1976, em Fuji, prova extra-campeonato)


Na Fórmula 1, em Suzuka, os vencedores são:

VITÓRIAS
PILOTOS
ANOS E EQUIPES
6
Michael Schumacher
1995 (Benetton), 1997, 2000, 2001, 2002 e 2004 (estas 5 de Ferrari)
4
Sebastian Vettel
2009, 2010, 2012 e 2013 (todas de Red Bull)



2
Gerhard Berger
1987 (Ferrari) e 1991 (McLaren)
Ayrton Senna
1988 e 1993 (ambas de McLaren)
Damon Hill
1994 e 1996 (ambas de Williams)
Mika Häkkinen
1998 e 1999 (ambas de McLaren)
Lewis Hamilton
2014 e 2015 (ambas de Mercedes)

1
Alessandro Nannini (1989, de Benetton); Nelson Piquet (1990, de Benetton); Riccardo Patrese (1992, de Williams); Rubens Barrichello (2003, de Ferrari); Kimi Räikkönen (2005, de McLaren); Fernando Alonso (2006, de Renault) e Jenson Button (2011, de McLaren)


As equipes vencedoras em Suzuka, na Fórmula 1, são:

VITÓRIAS
EQUIPES
ANOS
7
Ferrari
1987, 1997, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
McLaren
1988, 1991, 1993, 1998, 1999, 2005, 2011
4
Red Bull
2009, 2010, 2012, 2013
3
Benetton
1989, 1990, 1995
Williams
1992, 1994, 1996
2
Mercedes
2014, 2015
1
Renault
2006


Os pilotos que fizeram pole positions em Suzuka, na Fórmula 1, são:

POLES
PILOTOS
ANOS E EQUIPES
8
Michael Schumacher
1994 e 1995 (ambas de Benetton), 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 e 2004 (as 6 de Ferrari)
4
Sebastian Vettel
2009, 2010, 2011 e 2012 (todas de Red Bull)
3
Ayrton Senna
1988, 1989 e 1990 (todas de McLaren)

2
Gerhard Berger
1987 (Ferrari) e 1991 (McLaren)
Jacques Villeneuve
1996 e 1997 (ambas de Williams)
Nico Rosberg
2014 e 2015 (ambas de Mercedes)
1
Nigel Mansell (1992, de Williams); Alain Prost (1993, de Williams); Rubens Barrichello (2003, de Ferrari); Ralf Schumacher (2005, de Toyota); Felipe Massa (2006, de Ferrari) e Mark Webber (2013, de Red Bull)

A volta mais rápida no atual traçado de Suzuka foi do brasileiro Felipe Massa, de Ferrari, em 2006, que foi a pole position. Ele registrou 1’29.599 min., com média de 233,319 km/h.


A 17ª prova da temporada 2016 da F1 será a 28ª no Circuito de Suzuka (43ª na história do GP Japonês, e 32ª na Fórmula 1), terá 53 voltas, e será disputada no dia 9 de outubro.

#20 - Grande Prêmio do Japão (1ª parte)

* por Carlos Werzel Júnior

É uma prova automobilística que está no calendário da Fórmula 1, em praticamente todos os anos, desde 1976.

Porém, o 1º Grande Prêmio do Japão foi disputado em 1963, como prova extra-campeonato da Fórmula 1, no Circuito de Suzuka. Esta prova extra campeonato ocorreu em Suzuka, de novo, no ano seguinte.

De 1966 a 1976 os GP’s Japoneses, ainda como prova extra-campeonato da F1, foram disputados no circuito Fuji Speedway. No traçado de Fuji havia a curva Daiichi, que era inclinada (em relação à superfície), que foi cena de vários acidentes fatais.

No mesmo ano de 1976 foi realizada a primeira prova oficial de Fórmula 1 no Japão, no circuito de Fuji, com mudança na curva Daiichi (1ª curva), tendo sido deixado de lado a parte inclinada, que era bastante perigosa. Foi também a 1ª corrida de F1 a ser disputada no continente asiático!

Esta prova de 1976 não só foi a última da temporada, como decidiu o título mundial de pilotos. Na disputa estavam Niki Lauda e James Hunt, e o inglês levou a melhor, tendo obtido um 3º lugar em uma prova sob forte chuva. Niki Lauda apenas disputou duas voltas, desistindo após achar não haver segurança alguma (também desistiram o australiano Larry Perkins, e os brasileiros José Carlos Pace e Emerson Fittipaldi). Hunt ficou um ponto à frente de Lauda no campeonato.

Em 1977 houve nova prova em Fuji, sendo que o título já estava decidido nas mãos de Niki Lauda. Esta prova foi marcada por ser a última vitória de James Hunt na F1, foi a última prova disputada pelo sueco Gunnar Nilsson (que faleceu de câncer no ano seguinte), foi a última prova em que um carro de F1 usou pneus Dunlop, foi também a primeira prova em que o italiano Riccardo Patrese marcou ponto na F1 (chegou em 6º com sua Shadow), e também aconteceu um grave acidente, na 5ª volta, quando Gilles Villeneuve (Ferrari) e Ronnie Peterson (Tyrrell de 6 rodas) bateram ao se aproximarem da curva Daiichi, e a Ferrari voou sobre o público matando 2 espectadores.

Devido a esse grave acidente, preocupações com a segurança de Fuji, problemas financeiros e até de logística, o GP Japonês foi tirado do campeonato da F1.

Em 1987 a Fórmula 1 retorna ao Japão, desta vez no renovado circuito de Suzuka. Como o GP Japonês historicamente é um dos últimos do campeonato, viu-se 13 títulos mundiais de pilotos decididos lá (contando com o de 1976, em Fuji).

O Suzuka International Racing Course está na cidade de Suzuka, que faz parte da prefeitura de Mie, no Japão (o Japão é dividido em prefeituras).

Soichiro Honda (presidente da Honda Motor Company), no final dos anos 1950, decidiu desenvolver um novo circuito permanente na prefeitura de Mie. Projetada como pista de testes da Honda em 1962, pelo holandês John “Hans” Hugenholtz, Suzuka é um dos poucos circuitos no mundo a ter traçado “figura oito”.

O circuito de Suzuka está dentro de um parque de diversões, é veloz e exigente para os pilotos, e ao longo dos anos se tornou bastante popular entre fãs e pilotos.

Suzuka se tornou palco de vários momentos memoráveis e dramáticos na Fórmula 1, como as 3 disputas de título entre Ayrton Senna e Alain Prost, nos anos de 1988, 1989 e 1990.

Em 24 de março de 2006, a FIA anunciou que o GP do Japão voltaria a ser disputado no circuito de Fuji Speedway (agora com a Toyota como dona do circuito). Fuji foi redesenhado pelo alemão Hermann Tilke. Houve 2 provas da Fórmula 1 lá, em 2007 e 2008.

Não foi colocado antes, mas Fuji é conhecido por ter umas das retas mais longas das pistas de corrida no mundo, com 1,475 km.

Traçado de Fuji usado em 1976 e 1977

Traçado de Fuji usado em 2007 e 2008

Era para Fuji alternar com Suzuka de 2009 em diante. Porém, em julho de 2009, a Toyota citou a crise econômica global como motivo para que não houvesse mais GP’s em Fuji. Assim, a Fórmula 1 voltou a ser disputada em Suzuka. Em 23 de agosto de 2013 foi anunciado que o contrato do GP do Japão foi estendido até 2018.


Apenas para constar, o Japão também teve outra pista como sede de provas da Fórmula 1. Foi a de Aida (ou Tanaka International Circuit Aida). Houve 2 provas, em 1994 e 1995, como Grande Prêmio do Pacífico. Estas provas fizeram o Japão ser um dos 7 países a sediarem mais de uma prova da F1 na mesma temporada (os outros são Inglaterra, França, Espanha, Alemanha, Itália e EUA).

Circuito de Aida
(continua...)