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terça-feira, 23 de agosto de 2016

#16 - Grande Prêmio da Bélgica (parte 1)

* por Carlos Werzel Júnior

É uma prova automobilística anual realizada em quase todos os anos desde 1925. Faz parte da Fórmula 1 desde 1950, só não tendo sido incluída no calendário da F1 em alguns anos.

O primeiro Grande Prêmio foi realizado em 1925, no circuito de Spa-Francorchamps.

O circuito de Spa-Francorchamps foi projetado em 1920, por Jules de Thier e Henri Langlois Van Ophem, e sua construção finalizada em 1921. Originalmente a pista tinha formato de triângulo, usava estradas públicas entre as cidades de Francorchamps, Malmedy e Stavelot, e possuía praticamente 15 km de extensão.

O primeiro traçado de Spa

Inicialmente foi usado para provas de motociclismo até 1924, e com o sucesso das 24 Horas de Le Mans em 1923, foi criada uma prova similar em Spa, as 24 Horas de Spa, que acontece até os dias de hoje.

Houve 8 GP’s até 1939, após veio a 2ª Guerra Mundial, e o GP voltou a ser realizado em 1946, desta vez no circuito chamado Bois de la Cambre. Em 1947 volta a Spa-Francorchamps, desta vez o circuito foi modificado, encurtado para 14.100 metros, ficando mais rápido (foram retiradas quase todas as curvas lentas). Em 1949 é novamente realizado o GP Belga em Spa.

Em 1950 o GP da Bélgica entra no calendário da criada Fórmula 1, no circuito de Spa-Francorchamps. Nessa época Spa era um circuito conhecido por ser um dos mais extremos, desafiadores e assustadores na história dos esportes a motor. Quase todas as curvas eram rápidas, e o mínimo erro do piloto poderia ser fatal, pela falta de segurança do traçado, até porque passava próximo de casas, árvores, postes etc.

Na Fórmula 1 houve GP’s em Spa até 1970 (exceto nos anos de 1957, 1959 e 1969). Em 1971 o GP Belga foi cancelado, pois o circuito de Spa era muito rápido e perigoso. Assim, decidiu-se que haveria um revezamento entre outros 2 circuitos da Bélgica, para seu GP: Nivelles-Baulers e Zolder.

Nivelles-Baulers era um circuito próximo de Bruxelas, e que foi considerado seguro demais, tinha grandes áreas de escape, e alguns pilotos o descreveram como “estéril e brando”. Houve apenas 2 GP’s neste circuito, em 1972 e 1974. Problemas econômicos o tiraram do calendário da F1.



Zolder (ou Circuit Terlaemen) é um circuito que fica no norte da Bélgica. O 1º GP da F1 lá foi em 1973, e permaneceu no calendário de 1975 a 1982. Aliás, 1982 foi marcante pelo falecimento do piloto canadense Gilles Villeneuve, nos treinos para o GP Belga.

Traçado de Zolder

Em 1983, o GP da Bélgica volta a Spa-Francorchamps, porém o circuito foi encurtado em mais ou menos metade da sua extensão, tendo agora cerca de 7 km. Já nesse 1º ano de Spa encurtada, o circuito caiu no gosto de pilotos, público e equipes.

Em 1984 a prova volta a Zolder, agora pela última vez, e o vencedor foi o italiano Michele Alboreto, de Ferrari. Desde 1985, o GP da Bélgica é realizado no circuito de Spa-Francorchamps, exceto nos anos de 2003 e 2006, quando não houve a prova belga.

Spa-Francorchamps é um circuito favorito entre fãs e pilotos, rápido, desafiador. O velho traçado (usado até 1970) era bastante veloz. Na época era a pista mais veloz da Europa, e um dos setores mais amedrontadores da pista era a rápida chicane Masta Kink. Após a curva Malmedy havia uma reta de mais de 2 quilômetros, e no meio dela havia a veloz chicane Masta Kink, que exigia perícia e bravura do piloto. O tricampeão Jackie Stewart, em 2011, disse que Masta Kink é talvez a curva mais dura em qualquer pista que ele já enfrentou em sua carreira, mais até que a Eau Rouge.

De 1983 em diante, Spa passou por algumas mudanças no traçado, as mais significativas foram na chicane Bus Stop. E, claro, quando ela foi diminuída na sua extensão, a linha de chegada foi modificada.....antes ficava depois do hairpin La Source, após ficou antes da La Source.

O circuito sempre foi conhecido pelo clima imprevisível. Tanto que chegou a ocorrer provas lá com chuva por 20 anos seguidos.

Alguns dos traçados de Spa-Francorchamps:
1 - O antigo na Fórmula 1, com seus 14,1 km;
2 - O traçado usado de 1983 a 1985;
3 - O traçado usado em 1994, com a chicane antes da curva Eau Rouge;
4 - O traçado usado de 1996 a 2001;
5 - O traçado usado de 2002 a 2004, com a mudança na chicane Bus Stop;
6 - O traçado usado em 2005;
7 - O atual traçado, usado desde 2007, com nova mudança na Bus Stop

Alguns fatos marcantes do GP Belga:

1956: chovia quando começou a corrida, e Stirling Moss pegou a liderança. Mas já na 5ª volta Fangio recuperou a liderança. Na volta 10, Moss estava em 2º, a 8 segundos de Fangio, com a pista secando, quando perdeu uma roda traseira na subida depois da Eau Rouge.
Moss conseguiu parar o carro em local seguro, e voltou correndo a pé para os boxes, onde pegou o carro do seu companheiro Cesare Perdisa (na época 2 pilotos podiam dividir o mesmo carro, dividindo os pontos), terminando a prova em 3º, a mais de 3 minutos atrás do vencedor, Peter Collins. Outros tempos!

No video abaixo, essa cena aparece aos 3:12



1981: no circuito de Zolder, houve um fim de semana caótico, até porque a F1 estava no meio da guerra FISA-FOCA que ocorria na época. Nos treinos livres da sexta feira, um mecânico da Osella foi atropelado nos boxes (que eram estreitos) pelo argentino Carlos Reutemann, e acabou falecendo no dia após a corrida.
Por conta disto os pilotos ameaçaram uma greve, mas a prova aconteceu, mais tarde que o previsto.
Já preparados os carros para a largada, a Arrows de Riccardo Patrese “morreu”, e seu mecânico Dave Luckett pulou na pista, para tentar religá-lo. A largada foi autorizada assim mesmo, e o companheiro de Patrese, o italiano Siegfried Stohr (sim, italiano, apesar desse nome) bateu na traseira de Patrese, pegando o mecânico. Stohr saiu do carro desesperado, mas o mecânico apenas teve uma perna quebrada e lacerações, apesar de ter ficado inconsciente na hora.



1992: em Spa, o francês Érik Comas sofreu um forte acidente nos treinos livres, e Ayrton Senna, que passava por ali, parou seu carro e foi desligar o motor do carro do francês, para não causar incêndio, pois Comas ficou desacordado por instantes.



1998: em Spa, após a largada, houve um dos maiores acidentes da história da Fórmula 1, que envolveu 13 carros!

Abaixo video da Globo



Já após a 2ª largada, houve um acidente em que Michael Schumacher bateu na traseira de David Coulthard, pela pouca visibilidade, pois chovia bastante.




Nessa corrida houve a 1ª vitória da equipe Jordan, com o inglês Damon Hill. Seu companheiro Ralf Schumacher, ficou na 2ª posição.


(continua...)

terça-feira, 7 de junho de 2016

#10 - Grande Prêmio do Canadá (2ª e última parte)

* por Carlos Werzel Júnior

(cont.)
Alguns momentos marcantes em Montreal:

No GP de 1981, Gilles Villeneuve teve a asa dianteira de sua Ferrari quebrada, porém ela ficou na frente da sua visão da pista. Ele pilotou por algumas voltas assim, e na pista molhada, até que uma hora a asa se soltou, e Gilles correu assim até o final, chegando em 3º.

Segue um vídeo com esta ‘façanha’, narrado por Luciano do Valle, da Globo



No GP de 1982, quando a pista mudou seu nome (como já citado anteriormente), ocorreu uma fatalidade. O italiano Riccardo Paletti conseguia sua 2ª largada na F1, mas acabou sucumbindo a um acidente logo na largada, quando bateu sua Osella na Ferrari de Didier Pironi, que ficou parado. Ele sofreu pesadas lesões no peito, e ficou inconsciente no carro. O próprio Pironi e Sid Watkins, médico da FIA, foram socorrê-lo, mas logo o tanque do carro explodiu, formando uma bola de fogo. Acabou falecendo.

Abaixo um vídeo com esta largada



E a prova de 1991? Quem assistiu se lembra. O inglês Nigel Mansell liderou a prova toda, até que na última volta, liderando com grande vantagem, já estava acenando para o público, quando, a poucos metros da chegada, teve problemas elétricos no seu carro, e teve que abandonar. A vitória caiu no colo do brasileiro Nelson Piquet. Uma prova de que a corrida só acaba na bandeirada final!

Vejam no vídeo logo abaixo:



O circuito Gilles Villeneuve passou por algumas mudanças no traçado durante os anos. A linha de largada, de 1978 a 1986, ficava pouco após o hairpin final. Já em 1988 a linha de chegada foi mudada para onde está até hoje.

Logo antes da qualificação para o GP de 2014, os organizadores do GP anunciaram estenderam o acordo para receber a prova de F1 por mais 10 anos. Então, a prova está garantida até 2024!

O circuito possui 4.361 metros, é de rua, no sentido horário e de média alta velocidade. Possui 13 curvas, sendo 8 para a direita e 5 para a esquerda.

Até hoje foram disputados 52 GP’s do Canadá no total, sendo 46 na Fórmula 1. Destes 46, tivemos 2 provas em Mont-Tremblant, 8 em Mosport e 36 no circuito Gilles Villeneuve.

Não houve GP’s em 1987 (por disputas de patrocínio entre as cervejarias locais Labatt e Molson) e em 2009 (com a entrada dos Emirados Árabes no calendário, e a decisão da FIA por 18 provas no ano, somados à crise financeira global da época).

O maior vencedor do GP do Canadá é o alemão Michael Schumacher, com 7 conquistas (1994 [de Benetton], 1997, 1998, 2000, 2002, 2003 e 2004 [de Ferrari]). Dos pilotos atuais, Lewis Hamilton tem mais vitórias, com 4 (2007, 2010, 2012 [as 3 de McLaren], 2015 [de Mercedes]), e é o 2º no geral.

Dentre as equipes, as maiores vencedoras são a Ferrari e a McLaren, empatadas, com 13 triunfos. A Ferrari venceu nos anos de 1963, 1964 (estes 2 anos antes de a F1 desembarcar lá), 1970, 1978, 1983, 1985, 1995, 1997, 1998, 2000, 2002, 2003 e 2004; enquanto a McLaren subiu no mais alto lugar do pódio em 1968, 1973, 1974, 1976, 1988, 1990, 1992, 1999, 2005, 2007, 2010, 2011 e 2012.

O piloto com maior número de poles em Montreal é Michael Schumacher, com 6 no total, nos anos de 1994, 1995 (as 2 de Benetton), 1997, 1999, 2000 e 2001 (as 4 de Ferrari).

Dos atuais pilotos, Lewis Hamilton tem 4 poles (2007, 2008, 2010 [as 3 de McLaren] e 2015 [de Mercedes]), e Sebastian Vettel tem 3 (2011, 2012 e 2013, todas de Red Bull).

A volta mais rápida no atual traçado foi de Ralf Schumacher, com a Williams, em 2004, que foi a pole position da prova daquele ano. Ele registrou 1’12.275 min, com média de 217,220 km/h.


A 7ª prova da temporada 2016 da F1 será a 37ª em Montreal (53ª na história do GP Canadense), terá 70 voltas, e será disputada no dia 12 de junho.

#10 - Grande Prêmio do Canadá (1ª parte)

* por Carlos Werzel Júnior

É uma prova anual, que existe desde 1961, e que faz parte do campeonato da Fórmula 1 desde 1967.

De 1961 a 1966 o GP Canadense foi realizado no circuito de Mosport Park, e para carros esporte, fazendo parte do campeonato canadense de carros esporte. Nestes 5 anos vários pilotos internacionais de carros esporte participaram, assim como pilotos de Fórmula 1.

Em 1967 a Fórmula 1 chega ao Canadá, e a primeira prova foi disputada no circuito de Mosport Park. Mosport (que atualmente ainda possui o traçado original) era um circuito espetacular e desafiante, com várias subidas e descidas, e foi popular entre os pilotos.

Mosport Park

Como curiosidade o nome Mosport é uma contração de “motor sport”, e é pronunciado como se fossem duas palavras “mo-sport”.

Mosport sediou a F1, alternando com o circuito de Mont-Tremblant (situado em Quebec) até 1970. Mont-Tremblant, assim como Mosport, era um circuito espetacular que tinha muitas mudanças de elevação e era desafiante.



Mas problemas de segurança levaram os organizadores da F1 a não mais levar o ‘circo’ para lá. Um dos fatos que influenciaram foram os invernos rigorosos que afetaram a superfície da pista.

De 1971 a 1977 (exceto 1975) o GP do Canadá foi realizado no circuito de Mosport. Em 1975 não houve o GP pois não houve acordo entre os donos da pista e os organizadores da F1.

Em 1977 as preocupações com a segurança do circuito irregular de Mosport, que tinha solavancos, emergiram após o horrendo acidente do britânico Ian Ashley. Durante os treinos livres, sua Hesketh pegou um dos solavancos da pista na reta Mario Andretti, capotou, passando sobre o guard-rail e se chocou em uma torre de televisão. Ashley machucou-se seriamente, encerrando sua carreira na F1, e a operação de resgate levou cerca de 40 minutos para tirá-lo do carro, e mais 30 minutos para um helicóptero chegar.

Somado a isto, houve o acidente de Jochen Mass no mesmo dia, quando perdeu o controle de sua McLaren na primeira curva do circuito, e bateu no guard-rail que veio a ficar achatado com o impacto.

Assim, um novo circuito foi construído em 1978, em Montreal, inicialmente chamado Circuit Île Notre-Dame. Este circuito é feito inteiramente de ruas públicas, e é localizado em uma ilha artificial, a Ilha de Notre-Dame, situada no Rio São Lourenço.

O circuito é localizado na parte da cidade de Montreal chamada de Parc Jean-Drapeau. Quase metade da pista (do hairpin até a curva situada após o pit lane) passa ao lado da raia olímpica, que foi criada para as provas de remo e canoagem das Olimpíadas de 1976.

Em 1982, o circuito foi renomeado para Circuit Gilles Villeneuve, em homenagem ao grande piloto canadense de mesmo nome, falecido naquele ano, nos treinos do GP da Bélgica.

Circuit Gilles Villeneuve

Uma famosa parte do circuito é o muro do lado de fora da chicane final, na entrada da reta de chegada. Em 1999 o muro, que carrega a frase “Bienvenue au Québec” (bem-vindo a Quebec), encerrou a prova de 3 campeões mundiais, Damon Hill, Michael Schumacher e Jacques Villeneuve, bem como do campeão da FIA GT, Ricardo Zonta. Desde então este muro é chamado de “muro dos campeões”.


Várias categorias já disputaram provas no Circuito Gilles Villeneuve, como a Champ Car, NASCAR, Daytona Prototype, Grand Am etc.

Antes de continuarmos, abaixo coloco um mapa do Canadá com a localização das 3 pistas utilizadas em seu GP

(continua)